O altairismo como crença para a ação


O Altairismo constitui-se como umha proposta que, por desligada de qualquer instituição tutelar, não abrigada a nengumha opção religiosa ou partidária e perseguindo bens intangíveis e integrais, é difícil de praticar; e de explicar. Em contextos crueis, onde o individualismo e a obtenção de benefícios materiais são a base das opções imensamente maioritárias; onde o altruísmo é, no melhor dos casos, considerado umha excentricidade; e onde as crianças e as jovens vivem fortes dependências com poucas possibilidades de desenvolver os seus critérios, ou, mesmo, de elaborá-los, aproximar-se do altairismo é um ato singular, estranho, incompreensível. A sua própria vivência situa algumhas pessoas em posições difíceis, em dúvidas quase permanentes: se valerá a pena; se se está fazendo umha parvada; se tem sentido.
Sobretudo, quando as propostas aparentemente de alegada rebeldia ou preocupação sociais são praticadas doutro modo: em gestos, em símbolos, em faixas, em redes virtuais. Sobretudo quando se colocam umhas causas como nobres em determinados contextos e outras simplesmente não existem.

Falta sentido transcendente e real sentido social porque tudo se sublima e julga-se que essa sublimação faz parte dumha solução e não constitui parte do problema porque oculta precisamente que nada consegue; e o altairismo quer ser formulação frente a isso. Até onde pode chegar, o altairismo quer ser antídoto e alternativa à desigualdade em qualquer das suas manifestações. Como tal, é um ato de amor; um ato de amor que se concretiza nas pessoas com quem compartilhas, vives, acampas, haja mágoas ou sorrisos.

As altaíres devem ser, para todas as suas altaíres, primeiramente confiáveis e amáveis. E, no altairismo, a confiança reside no compromisso. O compromisso é estar sempre; é rotundo mas é assim; e é estar com vocação construtiva. Por isso, no altairismo, todas as ausências desse compromisso são aceitáveis e respeitáveis. Porque somos pessoas confiáveis e sabemos que a eventual ausência surge precisamente desde o compromisso e desde a crença.

“Sem ti nunca seremos nós” é, quiçá, um dos lemas mais formosos do altairismo; com ele encerra o nosso hino; um hino que fala de compreensão, carinho, união; que fala da natureza a que pertencemos como afirmação de inerência nela; que fala de companheirismo e solidariedade, de amizade, de amor; de respeito, de cultura, de aprendizagem. Que fala do sentido (do) coletivo como valor fundamental. Que fala de cuidado(s). Que nunca abandona; que enfrenta as dificuldades como ato de amor. Que impele a fazer quanto de cada quem depender para o bem-estar individual e social em que estamos inseridas

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